19 de novembro de 2010

Artigo #2: Guilherme Oliveira

CULTURA COLORIDA, CÉREBRO EM BRANCO

O TEMA
Estão saindo de cena a indumentária escura, a maquiagem pesada e as músicas lamurientas dos "emos", aqueles adolescentes que se divertem sentindo-se tristonhos. Há cerca de um ano, o cenário pop brasileiro vem sendo tomado por roupas de cores extravagantes e canções animadinhas sobre baladas, namoros e shopping centers. Essa nova vertente, capitaneada por bandas como Restart e Cine, atende pelo nome singelo de happy rock. "O emo briga com a namorada e fica triste. A gente rompe o namoro e, beleza, a vida continua", diz PeLu, guitarrista do Restart. Não é só a melancolia que foi proscrita: a ancestral rebeldia do rock também se foi. Os músicos de happy rock são o orgulho de papais e mamães.
O rock há muito deixou de ser a música que os pais detestam (o rap faz esse papel hoje). E no Brasil, depois da morte de Renato Russo, em 1996, a contestação ficou relegada a artistas desarticulados como Pitty. O happy rock abraça esse estado de coisas com – o que mais poderia ser? – alegria. Resta saber se ela vai durar. A exemplo de Menudo e ‘NSync, grupos assim, cheios de meninos sorridentes, rapidamente deixam de ser fonte de felicidade: basta as fãs crescerem um pouquinho e pronto – eles logo viram motivo é de vergonha.
                                                                                               Revista Veja, 9 de julho de 2010

O GÊNERO/ A MUSICALIDADE
O happy rock é um gênero musical com características muito próximas ao punk rock tocado pelos Sex Pistols na década de 70, que contrariou a idéia que a onda anterior, o rock progressivo, tinha sobre o rock, aquele tocado com acordes complexos e escalas elaboradas, p punk era com apenas 3 acordes simples sem escalas ou melodias elaboradas e batidas simples. Não foge muito também do que caracterizou o melodic hard core no início dos anos 80, que tinha como principal característica as letras mais emotivas com melodias mais tristes e batidas mais lentas, o que nos anos 2000 se transformou em EMOCORE.

O ESTILO / A MODA
As bandas de happy rock têm como seu visual o colorido. Quanto maior o número de cores que houver em suas roupas, melhor. Este visual e estilo de vida dos fãs do happy rock foi o que contradisse a onda anterior, a onda emo, que usava basicamente o preto, unhas pintadas e franjas que tapavam o olho, e que se sentiam tristes e depressivos na maior parte do tempo. Agora a onda é ser feliz, pular, ser colorido, ir ao Shopping Center mostrar as roupas etc.

A CULTURA
A cultura do happy rock se reflete nas letras das musicas dos artistas do próprio gênero e influenciam diretamente o seu público. Apenas estar com roupas fora de combinação, não se preocupar com o resto do mundo, namoro, e shopping Center. O happy rock é conseqüência de uma cultura popular comercial, sem arte.

A ONDA
Cada gênero ou estilo, seja na moda, na musica, ou na arte em geral, acaba criando seus derivados e chega a um momento “barroco” em que ele acaba. O happy rock seja talvez o momento barroco de uma cultura popular comercial da onda Rebelde (RBD), Harry Potter,Crepúsculo, Emo etc.

A POLÊMICA/ O PROBLEMA
Como toda onda comercial o happy rock também ganhou seus inimigos e críticos. Bandas como restart, cine, replace etc. tem em seu maior publico os jovens de 17 anos para menos e em sua maioria meninas, “isso de certa forma transforma a imagem das bandas de happy rock em banda de musicas para criança...” disse DH, vocalista da banda Cine, em uma entrevista na MTV.
O maior problema não está na maneira de se vestir, na musicalidade, no gênero, nos fãs ou em seu gosto, mas sim na maneira em que o sistema tira das pessoas a capacidade de pensar, de se posicionar em relação à política e outros problemas sociais. Querem a coisificação do estudo e da cultura artística que muitos artistas antigos, sejam na musica ou arte em geral, nos proporcionaram para que pudéssemos desenvolver a cultura artística ou sociológica ou política que há em nós, e fazem isso através de garotos de 16 anos de idade que também se tornam vitimas de suas próprias influencias.
As cores da cultura popular tiram o espaço do raciocínio na cabeça do ser humano.

Guilherme Oliveira da Silva

7 comentários:

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  6. Eu acredito que essa nova moda "colorida" não traz nada de construtivo pra vida, são só musicas melosas, roupas coladas e falta do que fazer....

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  7. A mídia, desde os tempos da ditadura, sempre teve como objetivo distrair/desfocar a atenção da população para que a mesma viva num monopólio de conhecimento e se sinta pressionada a viver no conformismo.

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