Urubus na Bienal
Bandeira Branca, uma obra do artista Nuno Ramos, que ocupava o vão central do prédio que recebeu a 29ª Bienal de São Paulo causou muita polêmica. A instalação de Nuno Ramos, com três urubus em cativeiro, foi alvo de protesto e teve o muro pichado com a frase “liberte os urubus”.
O protesto acusava supostos maus tratos nos animais, que estavam cercados por uma rede de proteção.
Embora a fundação Bienal tenha conseguido a autorização do Ibama para o transporte e o manejo das aves que pertenciam ao Parque dos Falções, em Sergipe, o Ibama resolveu revogar a licença e pediu a retirada das aves com a justificativa de que o ambiente era fechado, sem incidência de sol e com excesso de barulho.
Primeiramente, as aves estavam sendo bem tratadas, pois já eram criadas em cativeiro no parque ao que pertenciam e eram acompanhadas diariamente por um criador. Além disso, a instalação da Bienal foi inspecionada por um médico veterinário antes das aves serem levadas.
Em segundo lugar, porque as pessoas estavam protestando sobre o trabalho de um artista que tem toda liberdade de expressão, além de ter a permissão do Ibama? As aves estavam sendo tratadas melhores do que muita gente, que todo dia morre de fome e são exploradas e assediadas. Porque estas mesmas pessoas não se preocupam com tais problemas sociais? “eu poderia segurar uma faixa 'Solte o animais', isto não é protegê-los. Porque as pessoas não se juntam aos voluntários para tratar os animais?” questionou José Percílio Menezes, fundador do Parque dos Falções.
Enfim, as pessoas realmente não se preocupam com as vacas e os bois que são sacrificados todos os dias, e nem sequer se lembram dos cachorros nas ruas que ficam revirando as lixeiras para terem algo para comer. Não pensam em quando deixaram abandonado o seu cachorro, ou o gato, ou qualquer outro animal pelo simples motivo de não quererem mais criá-los. E agora se importam com as aves que estavam expostas tão bem tratadas com comida e médico veterinário. Realmente não tem como entender essas pessoas.
Seria mais correto se essas preocupações fossem voltadas para um bem maior, como, por exemplo, a saúde precária de nosso país ou até mesmo o abandono dos idosos.
Jéssica Maraschin